20090813

Sétimo e oitavo dia


Tivemos progressos, "levantamos acampamento", mas parece que o processo vai demorar mais do que eu imaginava. Portanto o blog vai ficar muito repetitivo se eu continuar a detalhar dia a dia.
Voltamos a colocar a mão dentro do berço para que ela adormeça.

Na últimas duas noites a Sandra dormiu das 6h30 até as 3h da manhã direto, sem interrupções. O truque de falar pela babá eletrônica funcionou só uma vez. A colocamos mais cedo porque é o único jeito de ela não dormir mamando.

Após as 3h ela acordou umas 4 vezes e na noite anterior não resisti e acabei dando de mamá pra ela por volta das 4. Evito ao máximo amamentar na madrugada porque sei que ela não precisa mais dessa mamada e não quero que ela crie esse hábito de novo, mas ela pediu, não havia comido muito bem no dia anterior e eu estava com muito sono precisa voltar a dormir logo.

Como ainda estou um pouco cismada com o problema de ouvido que ela teve vou levá-la num otorrino.
Sei que para que eu consiga me afastar do berço, vai ter choro, mas não quero que ela se sinta abandonada com dor e não posso ficar dando paracetamol todas as noites para ter certeza. O ruim é que a consulta mais próxima é só no dia 27.

Segunda vou na Plunket, vou conversar bastante com a enfermeira sobre o assunto.

20090812

Voltando a rotina - Sexto dia


Apesar da Sandra ter acordado 4 vezes na noite passada continuamos fazendo progressos. Agora basta eu dizer "naná" do meio do quarto que ela já acalma e adormece sozinha. Mas antes preciso deixá-la só por uns 5 minutos pois senão ela fica levantando no berço e querendo brincar comigo. Ela chora, espero um pouco, como ela não tem parado volto lá.

Daí a coloco deitada de novo e fico no quarto quando ela reclama eu repito naná e ela adormece. A nossa babá eletrônica tem câmera e receptor de som no quarto dela. Se ela acordar essa noite vou tentar falar pela babá. Vou torcer para que funcione.

Nas sonecas do dia não estou tão rígida, hoje saímos e a deixei dormir na cadeirinha do carro. Dormiu menos do que de costume, mas dormiu.

Visitei o site da Johnson&Johnson, apesar de estarem divulgando seus produtos, está bem interessante mostrando dicas de massagem relaxante e banho. Vale a visita. Johnson&Johnson

20090811

Ferber na espera


Apesar de ter fraquejado as coisas estão começando a melhorar. Parece que minha presença ao lado da nenêm não a excita mais e hoje bastou que eu ficasse ao lado dela no quarto e quando ela reclamava eu só dizia naná e ela voltava a deitar.

Na verdade ela se levantou no berço umas três vezes, a coloquei de volta deitada e tentei sair, mas quando ela começou a chorar mesmo retornei e decidi tentar acalmá-la por lá. Deu certo!

Demorou uma meia hora para que ela dormisse e ela acordou uma vez até agora, mas o papai só disse naná e ela voltou a dormir.

Vou tentar usar a técnica de me afastar do berço. Me sinto melhor assim. Nunca devia ter lido "Helping your baby to sleep", as autoras condenam totalmente qualquer treinamento para dormir. Prometo comentar os livros em um post, enquanto isso veja o comentário alheio.

De qualquer maneira estou decidida a continuar. Pois mesmo que ela se sinta um pouco abandonada, a custo de um pouco de sofrimento ela criará bons hábitos de sono o que com certeza a trará muitos ganhos. Além disso ela sabe que pode contar comigo quando precisa. Segundo a enfermeira da Plunket, a estou ensinando uma importante habilidade.

Reduzi um pouco o ritmo, sei que se tivesse sido um pouco mais consistente no método ela provavelmente já estaria dormindo a noite toda de vez, mas confesso que não consigo.

Esse processo não está fácil, mas finalmente trouxe o papai comprometido como nunca no sucesso dessa empreitada.

20090810

Ferberização 3 e 4


Ontem foi meu dia (papai e mamãe estão alternando), por isso não escrevi. Foi meio complicado. A Sandra chorou por uma hora e acordou diversas vezes.

Agora basta ficar com a mão sobre a barriga dela que ela acalma. Não aguentei deixá-la chorando lá sozinha. Acho que sou fraca. Provalvelmente é por isso que ela continuou acordando pois continua precisando de mim para voltar a dormir.

Quando ela tinha uns 3 meses tentei usar dessa técnica, mas a minha presença acabava por excitá-la. Eu tinha que deixá-la só mesmo. Mas raramente chorava pra valer e se eu a colocava no primeiro sinal de sono ela dormia sem reclamar.

É incrível como as coisas mudam depressa, agora mais velha e mais esperta ela já consegue me dobrar. Hoje ela dormiu mamando e é claro acordou logo em seguida, mas quem foi no quarto foi o papai. Ele ficou com a mão nela, mas ela dormiu rapidinho resmungou, mas não chorou. Já são 11h e ela continua dormindo. Essa madrugada é dele.

Parece que ela está conseguindo dormir sem o objeto de conforto dela (eu).

20090808

Ferberização- parte II

Pelo menos tanto sofrimento surtiu algum efeito. Após colocá-la as 6h30, ela só dormiu por volta das 8h e acordou 9h30. Posso considerar um progresso uma vez que costumava acordar uns quinze minutos após adormecer no meu peito.

A peguei no colo, dei um carinho e a pus de volta no berço. Ela reclamou uns 2 min, mas dormiu em seguida. Acordou de novo por volta da meia noite, provavelmente com nosso barulho indo deitar. Demorou uma meia hora dessa vez, mas sem muito choro. A parte difícil foi entre 2h e 3h da madrugada que ela chorava então resolvi ficar com a mão na barriguinha dela. Ela finalmente adormeceu e acordou as 6h da manhã. Estava faminta então não tive tempo nem energia de preparar o café da manhã e dei o peito. Ela então dormiu mamando. A coloquei de volta e só acordou de novo as 8h da manhã.

Apesar de nossas olheiras ela estava bem mais animada nesta manhã, afinal fazia muito tempo que não dormia tanto. Acordou só três vezes.

Nas sonecas da tarde repeti o mesmo procedimento e também teve muito choro. A rotina do dia ficou meio atrapalhada pois ela chorando levou mais tempo para dormir, acordou, mais tarde e os horários das refeiçõs ficaram meio atrapalhados.

Hoje que colocou foi o papai. Como eu já estava bem abalada com tanto choro resolvi sair de casa. Então dei mamá e fui ao supermercado. Segundo meu marido, ela chorou apenas 10 min. Ele foi no quarto uma vez só e desta vez bastou passar a mão na barriga dela.

Agora são 11h da noite e ela acordou. Ele está lá no quarto. A madrugada é dele, mas vou dormir pois mesmo não me levantando sei que ficarei atenta.

20090807

Depoimento - Ferberização sem Sansão



Na última semana estive colocando a Sandra para dormir no berço, mas ficava com a cabeça deitada ao lado dela. Ela ficava mexendo em mim até adormecer. Eu sou o objeto de conforto dela. Falando nisso não consegui instituir o Sansão (o coelhinho azul que comprei) como o objeto de transição dela. Decidi não forçar nada para não arranjar outro problema no futuro.

Enfim, hoje foi o grande dia, inclinei um pouco mais o berço, ajeitei a grade que estava fora e separei o paracetamol. A Sandra estava muito cansada então a coloquei para dormir 20 min mais cedo. Ela dormiu bem durante o dia e estava bem relaxada.

Evitamos brincadeiras na parte da tarde. Ela acordou as 3h, mamou, a deixei engatinhar bastante para ter um cansaço físico (espero ter feito certo), dei bastante colo, ouvimos músicas calmas e lemos os livrinhos preferidos.

Ela quase dormiu mamando então mantive a luz do abajur mais forte e tive que ficar falando e mexendo com ela para que não adormecesse. Comecei a cantar pra ela a cantiga de ninar sempre e ela já estava quase dormindo. A coloquei no berço imediatamente. Eu a cobri e disse as frases de sempre "vamos nanar a nene", "boa noite", mas dessa vez não deixei a minha cabeça ao lado dela. Ela ficou tentando segurar minha mão e assim que saí ela começou o berreiro.

Me escondi atrás do berço e cronometrei longos 3min. Voltei tentei acalmá-la no berço sem sucesso, peguei um pouco no colo, ela chorava sentida. Já fiquei com os olhos cheios de lágrimas. Assim que ela se acalmou a pus de volta explicando que era hora de nanar e repeti as frases acima.

Voltei para trás do berço, me escondendo atrás do porta fraldas. Dessa vez ela, berrando ainda, se virou de bruços, ficou de gatinho e me descobriu lá. Ficou tentando me alcançar pelas grades. Já comecei a pensar em desistir.

Dessa vez saí do quarto, quando voltei ela enquanto chorava ficava tentando mostrar a língua, brincadeira que ela nos faz rir muito. Assim que se aclamou saí de novo.

Dessa vez o choro de soluços mudou para um choro com gritos, estava brava. Esperei interminaveis 10min dessa vez. Ela ficou de pé no berço. Quando cheguei lá estava com os dois bracinhos pra fora me chamando, meu coração terminou de se partir.

A peguei novamente ela estava exausta, chorava com os olhinhos fechados. Já quase dormindo quando a pus de volta. O berreiro continuou. Nessa hora eu estava aos prantos com a velha sensação de pior mãe do mundo.

Meu marido precisou me acalmar. Me lembrou que nos últimos dois meses a nenem vinha acordando de 40 em 40min e só voltava a dormir após eu segurá-la e depois deitar ao lado dela e ficar lá por um tempo, inclusive nas madrugadas. Recordou em como era mais fácil pra mim e ela era mais bem humorada quando dormia sozinha no berço e dormia melhor.

Enfim, após 1h20min ela adormeceu. Que alívio! Foi então que desabei. Chorei por uma meia hora. O que me matava era a certeza de estar fazendo isso mais por mim do que por ela. Já estou no meu limite de sono, stress, cansaço...

Mas não atender a seus chamados me deixou em frangalhos. Espero estar fazendo a coisa certa.

20090806

Prevenindo

Hoje levei a Sandra no médico para um check up antes de deixá-la para dormir sozinha, ou seja, antes de deixá-la chorar.

Queria me certificar de que ela não estivesse com nenhuma dor. Fiquei satisfeita por ter esperado para tomar minha decisão. Descobri que ela tem os canais que ligam o nariz e os ouvidos obstruídos e por causa disso ela teve dor de ouvido depois de termos andado tantas vezes de avião. A pressurização e o catarro formaram uma dupla bem perigosa.

Segundo o médico este é um problema bastante comum e que muitas mães nem ficam sabendo.

Ele sugeriu elevar o berço para evitar que os fluidos pressionem os ouvidos e causem dor. Receitou também gotinhas para pingar no nariz quando for viajar de avião.

Só por precaução acho que vou dar pracetamol pra ela. Não gosto de dar remédios, mas gosto menos ainda da idéia de deixá-la chorar com dor.

20090805

Dividindo a cama com segurança



Já entrei nesse tema. Vou divulgar aqui o que descobri enquanto pensava seriamente em manter nossa filhinha dormindo conosco.

É questionável se dividir a cama aumenta ou diminui o risco de morte súbita. Há quem diga que reduz pois a mãe está mais próxima do bebê caso algo aconteça e há também o risco de que ambos os pais rolem sobre o bebê.

Cheguei a conclusão de que se o bebê for bem novinho, até dois meses, dividir a cama, desde que com segurança, pode ser bem vantajoso pois a mãe não precisa levantar despertando totalmente para as mamadas da madrugada. Dá pra dar o peito quase dormindo.

Como assim tão pequeno o bebê nem se dá conta de muita coisa mesmo mudá-lo para o berço depois não será nenhum problema.

Vantagens:
- Melhor amamentação e consequentemente menos problemas com o aleitamento no futuro.
- Melhor qualidade de sono para os pais e para o bebê
- Menos choro

Mas algumas dicas de segurança devem ser seguidas:
- O colchão tem que ser bem firme e o bebê deve ter sua própria coberta
- Não colocar edredons para o bebê, melhor optar por mais de um cobertor se necessário
- Nenhum dos pais pode beber alcool nem tomar drogas, é claro
- Nenhum dos pais deve ser fumante
- Nenhum dos pais pode ser muito obeso
- Não dividir a cama se um dos pais tem o sono muito pesado

Após noites muito mal dormidas temendo ou derrubar a nenê da cama ou tê-la esmagada pelo meu marido descobri que existem acessórios úteis como grade de proteção portátil e uma espécie de moisés que pode ser colocado entre os pais permitindo ao bebê um cantinho reservado e seguro. Veja nas fotos. Dá pra comprar pela Amazon, veja o link abaixo.


moisés
grade

Dividindo a cama com o bebê

Nosso "acampamento" foi montado no quarto da Sandra, nossa bebê, com o objetivo de colocá-la de volta no berço de uma forma mais gradual. No entanto o que tem acontecido de fato é que ela acaba acordando na nossa cama.

Isso porque, como citei em um post anterior, fico tão exausta que acabo desistindo e a deito ao meu lado na cama.

Tanto tempo se passou que finalmente tomei minha decisão. Vou deixá-la dormir sozinha no berço, ou seja, vou deixá-la chorar até dormir. Tomei essa decisão porque a qualidade do sono dela e do meu estão tão ruins que ambas andamos tão cansadas que já está comprometendo a qualidade do nosso tempo juntas e de seu desenvolvimento.

Mas até decidir me questionei do porquê não deixá-la de vez em nossa cama. Descobri que em várias sociedades dormir junto é a regra. Os Maoris e várias tribos indígenas sempre dividem a cama e amamentam conforme a demanda do bebê. Descobri que problemas com o suprimento de leite praticamente são inexistentes nessas sociedades.

Na nossa sociedade, dormir junto é quase um tabu e muitos casais que dividem a cama com o bebê nem sequer conseguem admitir publicamente. Eu mesma estou sendo tão massacrada pela família e amigos que chego a questionar minha decisão de deixá-la só temendo estar agindo sob pressão. Além disso tenho questões sem respostas.

Neste momento em que a ansiedade de separação tem nos consumido, não será esse o pior momento para deixá-la se acalmar e dormir sozinha?

Como me certificar de que ela não esteja com dor ou desconforto?

Como saber se ela não se sentirá abandonada?

20090804

A ditadura dos livros para pais

Fui numa palestra aqui: "Polically Incorrect Parenting Show" de Nigel Latta, um kiwi muito engraçado e que coloca várias problemáticas que vários pais vivem com muito humor.

Nigel é uma figura cômica e mostra imagens engraçadíssimas, só não curti mais porque o dito cujo fala muito depressa e eu, uma não "native speaker", perdi quase metade das piadas. :(

Fui no show no auge do meu sono, quer dizer, da falta dele, mas valeu para melhorar o humor e dar boas risadas de mim mesma.

Uma das piadas foi sobre a ditadura dos livros de autoajuda para pais, aqui conhecidos como "parental books". Ele chama de ciência dos parental books. Ditando a hora e por quanto tempo os bebês e crianças devem dormir, onde domir, como acordar, como comer, como se comportar etc. E no final das contas as informações que deveriam orientar e acalmar os pais acabam por deixá-los ansiosos e frustrados já que raríssimos bebês seguem a escala ideal de sono, desenvolvimento e comportamento.

Infelizmente não me lembro mais de muitas piadas por causa do gap do idioma e porque comecei a escrever esse post um tempo atrás, a Sandra acordou e só me lembrei de terminá-lo hoje pois li um conto engraçado num outro site.

Me dei conta de como é importante levarmos a vida com humor e sabermos rir de nós mesmos nos momentos mais difíceis e desafiadores como criar um primeiro filho que não aprecia dormir, longe da família e sem descanso. Visitem o site abaixo e leiam as histórias engraçadas desse pai que se diz atrapalhado.

Quarto elemento


Voltando ao show, o comentário que mais gostei foi que os "parental books" gastam tanto tempo explicando a importância do sono para o bebê, mas esquecem-se de mencionar a importância do sono do bebê para os pais. Pois a única vida que nos resta é quando nosso anjinho está dormindo. :)